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O despertar da razão africana: por que o Brasil precisa descolonizar o conhecimento?

  • Foto do escritor: Janine Rodrigues
    Janine Rodrigues
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Janine Rodrigues e Graça Machel Mandela
Janine Rodrigues e Graça Machel Mandela



Janine Rodrigues

Artigo para a Bett Brasil


A filosofia, em sua essência, nasce do "espanto". Platão e Aristóteles já afirmavam que esse sentimento de maravilhamento diante do mundo e da própria existência é o ponto de partida para qualquer atividade reflexiva.

No entanto, por séculos, o sistema de educação brasileiro foi levado a acreditar que esse "espanto" e a busca por respostas eram privilégios exclusivos do mundo ocidental. Para professores, acadêmicos e jornalistas, compreender que a racionalidade não possui fronteiras geográficas é o primeiro passo para uma verdadeira emancipação intelectual.

O conhecimento das tradições filosóficas africanas não é apenas uma reparação histórica, mas uma necessidade epistemológica para compreender a complexidade da condição humana em sua totalidade.


Desconstruindo o monopólio da razão: a universalidade do pensar

A ideia de que a filosofia é uma exclusividade grega ou europeia é um equívoco que limita a nossa compreensão sobre a natureza humana. Filosofar é, fundamentalmente, refletir sobre a experiência humana para responder a questões básicas sobre a vida e o universo.


Como a natureza e a experiência humana são essencialmente as mesmas em todo o globo, a tendência de buscar esse conhecimento por meio da reflexão é constitutiva de nossa espécie. Portanto, não existe lugar no mundo onde os seres humanos não tenham filosofado.


Na África, assim como na Grécia antiga, indivíduos foram tomados pelo encantamento diante das complexidades do cosmos e da subjetividade. O fato de muitas dessas reflexões não terem sido preservadas inicialmente por meio da escrita não anula sua existência ou seu rigor lógico. A habilidade de pensar de modo coerente faz parte da racionalidade humana universal, e é falso supor que povos não ocidentais não empreguem a razão apenas por não seguirem os moldes da lógica aristotélica ou rousseliana.



Muitas vezes, a filosofia africana tradicional foi transmitida por mitos, provérbios, máximas de sabedoria e organizações político-sociais.

Embora alguns estudiosos, como o professor Kwasi Wiredu, tenham classificado essas formas como "pensamento de comunidade" ou "filosofia em sentido amplo", é crucial entender que essas ideias não surgiram do vazio. Elas são frutos de reflexões profundas de pensadores individuais, cujos nomes podem ter se ‘’perdido’’ no tempo, mas cujo legado intelectual permanece vivo na cultura e no patrimônio do continente.


Para a educação brasileira, resgatar esses fragmentos significa o

ferecer aos estudantes uma visão mais rica e plural da inteligência humana.


Leia o restante do artigo no site da Bett educar!! E por falar nisso, estarei na Bett 2026, palestrando sobre este e outros assuntos!! Nos vemos lá!




 
 
 

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©2022 por Janine Rodrigues

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